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Educação
Por Alessandra Picoli

A melhor da classe

Por mais que revistas e jornais insistam que "as mulheres estão tomando os primeiros lugares dos homens", os números reais são tímidos. Uma parcela grande de garotas consegue se destacar no ensino fundamental, mas quando chega no ensino médio, esta porcentagem diminui. Será que há uma idade onde as meninas são naturalmente ultrapassadas pelos meninos nos estudos, por mérito e capacidade deles? Seria a inteligência, no sentido em que se usa este termo nas escolas (sucesso no estudo formal), uma característica tipicamente masculina?

Provavelmente não. A escola tradicional não incentiva as meninas a se destacarem nos estudos ou nos esportes. Para ser mais precisa, não é que a escola não queira que meninas se destaquem; o sistema simplesmente não valoriza as conquistas femininas no campo do estudo como as valoriza para o sexo masculino. É considerado fundamental para o homem procurar posições de destaque (é um pré-requisito para a masculinidade e seu sucesso como futuro provedor de uma família), e quando a mulher consegue ocupar estas mesmas posições, é tratada como exceção (o conhecimento quase como "capricho", como supérfluo, já que suas funções na sociedade serão muito mais ligadas ao lado intuitivo e emocional). E, sem estímulo, nada se desenvolve.

Quando a adolescência se aproxima, cada vez menos meninas estão entre as melhores da classe. Nesta fase, quando a atração sexual aparece como moeda de barganha nas relações interpessoais, muitas das meninas que antes se destacavam ficam perdidas e resolvem, consciente ou inconscientemente, valorizar outros aspectos da sua personalidade que não a intelectualidade. Não é que elas resolvam "agora não vou ser mais inteligente", elas simplesmente não dedicam mais tanto da sua energia para a escola. Um desempenho mediano no colégio poderia, nesta visão equivocada, ser compensado por uma vida social e emocional agitada - e isso não é verdade em todos os casos. Talvez elas sintam-se constrangidas por deixarem os meninos para trás, quando elas pensam (e a escola e família muitas vezes confirmam, como ferramentas de formação da identidade de gênero) que não se tornarão atraentes para um futuro pretendente se elas se mostrarem mais espertas. Talvez os meninos sintam-se mesmo assim, eles estão sendo criados para procurarem meninas mais novas/ menos espertas/ mais vulneráveis do que eles.

Como a grande maioria das desigualdades entre os gêneros, a suposta "maior inteligência formal" dos meninos é mais um dos obstáculos artificiais que nada têm a ver com um X ou um Y no seu genótipo. É mais uma diferença cultural que, por sua persistência, já é confundida com uma diferença "natural" e biológica. Não caia neste erro!

Uma coisa para fazer: um grande destaque nos estudos não é uma coisa banal. Comemore sempre. Tome cuidado apenas para não transformar a entrega do boletim escolar numa oportunidade para chantagem e "compra" de favores ou presentes.

Uma coisa para não fazer: não critique ou trate indiferença os sucessos que sua criança obtém em campos que não correspondem à sua expectativa.

Alessandra C. Picoli, 29, é jornalista. Escreveu sobre temas diversos no blog "Vida de Redatora" e sobre feminismo na coluna "Sutiãs em chamas" (www.revistaparadoxo.com).

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