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Educação
Por Alessandra Picoli

Feminista?

Se você concorda que a educação que seus pais te deram está ultrapassada na questão de gênero, você precisa mexer os pauzinhos para que a de sua menina ou menino seja diferente. Que tal algumas noções feministas? Algumas coisas para você pensar na hora de explicar o mundo para eles:

- homens e mulheres são, sim, muito diferentes biologicamente. Mas essas diferenças, no mundo de hoje, são praticamente irrelevantes. A tecnologia já superou quase tudo! Um exemplo: homens têm indiscutivelmente mais massa muscular e força que as mulheres; mas dentre todas as atividades que sua filha gostaria de exercer, qual delas necessitaria de tanta força assim? Trocar uma lâmpada precisa de força física descomunal? Ensinar em uma faculdade? Dirigir uma empresa? Digitar um trabalho no computador? Não! E mesmo se ela resolvesse ser pedreira, por exemplo, há uma série de equipamentos que facilitariam a sua vida (e nada impede que ela trabalhe com homens dividindo o trabalho). Portanto, passe sempre a idéia de que a grande maioria das diferenças pode ser superada com muito estudo, dedicação e insistência.

- o direito à escolha: todas as pessoas nascem livres e têm direito de escolher. Não é porque nasceram meninas ou meninos que devem tirar do seu menu de escolhas algumas ocupações ou ambições. Meninas e meninos podem ser professores, jogadores de futebol, donos de casa, vendedores, marceneiros, artistas, dançarinos, de acordo com suas aptidões e gostos, que serão descobertos ao longo da vida. Podem escolher se querem namorar ou não, se querem ter filhos ou não, se querem parecer de um jeito ou de outro. Meninas e meninos podem escolher tudo, mesmo que o mundo "lá fora" insista que há coisas que "caem bem" para um gênero e não para o outro. Todos são humanos e ponto final!

- as coisas não são como são hoje porque "sempre foram" e "sempre serão". É muito difícil perceber que o nosso tempo não é o único e que, em outros períodos, os costumes e organização eram completamente diferentes. Na antiguidade, já houve um tempo onde mulheres eram o centro da sociedade, mas também já houve épocas onde as mulheres não eram nada mais que "fábricas de filhos" e nem tinham direito de comer a mesma comida que os homens. Fale para sua criança perguntar para a vovó ou para o vovô como é que as coisas eram no tempo deles em relação às mulheres. Do mesmo jeito que muita coisa mudou de 50 anos para cá, vão mudar daqui a 50 anos. E não é porque um costume resiste ao tempo que ele "deve" ser assim ou está certo. É só lembrar de uma série de superstições que resistem ao tempo e não tem nenhum fundamento, como a maluquice de cobrir espelhos quando caem raios numa tempestade.

- uma mulher que defende os direitos das outras não detesta os homens. Muito pelo contrário! Ela briga para que homens e mulheres tenham as mesmas oportunidades para viver harmoniosamente. Elas não fazem isso porque não têm maridos ou namoradas, não fazem isso porque são feias, não fazem isso porque estão na TPM. Elas brigam por esses direitos porque alguém tem que faze-lo. Foi graças a mulheres como elas que hoje podemos votar, estudar, ter empregos sem autorização dos maridos e até ter direito a julgamentos em pé de igualdade. Podemos até escolher não ter marido! Gostaríamos de, no futuro, ganharmos os mesmos salários que os homens pela mesma função e ter total direito de escolha sobre o que fazemos com nossos corpos e sentimentos. E é por isso que elas brigam hoje, entre outras coisas.

Uma coisa para fazer: eduque pelo exemplo. Trate com igualdade meninos e meninas - ambos ajudam em casa, o estudo de ambos é valorizado da mesma forma, as regras (hora para chegar em casa, tipo de diversão permitida, etc) para os dois são as mesmas, as demonstrações de carinho também. As diferenças de tratamento que vão aparecer ao longo do tempo devem ser de acordo com a personalidade de cada um, não por causa do gênero e idéias pré-concebidas sobre o que é "coisa de mulher" e "coisa de homem".

Uma coisa para não fazer: não se acomode! Você tem uma chance única de plantar uma semente para o mundo, incutindo na sua cria uma série de valores aos quais você só teve acesso mais velha. Não perca essa chance de criar um serzinho consciente, que vai fazer o mundo muito melhor para seus netos do que foi para você!

Alessandra C. Picoli, 29, é jornalista. Escreveu sobre temas diversos no blog "Vida de Redatora" e sobre feminismo na coluna "Sutiãs em chamas" (www.revistaparadoxo.com).

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