Este é um artigo científico, cuja leitura integral pode se mostrar cansativa a leitores não acadêmicos.
Resumo:
Nós (Homo Sapiens), vivemos em nossa sociedade um paradigma psico-social masculino. Este paradigma pode ter uma base bio-ontológica. Por homologia genética, nós podemos nos identificar como chimpanzés (Pan Trogloditas) que pensam, pois a espécie humana é uma variação destes; mantemos nossa estrutura mental e neural como a dos chimpanzés. Essas estruturas chimpanzés geram a base de nossa estrutura física, e de nosso desenvolvimento cultural e social. A estrutura da sociedade humana é muito parecida com a dos chimpanzés.
Os bonobos (Pan Paniscus) também se originaram dos chimpanzés, 2 milhões de anos depois dos humanos. Mas a natureza, ao invés de desenvolver sua capacidade cerebral, desenvolveu seu padrão de comportamento sexual, e, desse padrão, evoluiu um novo sistema psico-social.
Todas as fêmeas bonobo são naturalmente bissexuais, com preferência pelo comportamento lésbico.
Todos os machos bonobo são naturalmente bissexuais, sempre aceitando relacionamentos homoeróticos.
Esse padrão sexual lésbico e bissexual mudou toda a estrutura de sua sociedade. Eles realmente vivem um paradigma social feminino, e esse paradigma feminino esvaziou a agressividade masculina e a violência em sua sociedade. As fêmeas demonstraram que não precisam de machos para sexo e prazer, apenas para reprodução.
Nós, seres humanos, precisamos aprender com os bonobos, se pretendermos ter, algum dia, uma sociedade mais inteligente e pacífica.
Abstract:
We (Homo Sapiens), live in our society a male psycho-social paradigm. That paradigm may have a biological ontological basis. From genetic homology, we may understand ourselves as chimpanzees (Pan Trogloditas) that think, and we mantain our chimpanzee original neural and mental structure. Those chimpanzee structures generate the basis of our psychical structure, and the background for our cultural and social development. The structure of the human society is very similar to the chimpanzee's.
The bonobos (Pan Paniscus) also came from the chimpanzees, 2 million years later than us. But nature, instead of developing their brains, developed their sexual behavior pattern, and, from that pattern, evolved a new physical and social system.
All bonobo females are naturally bisexual, with preferential lesbian behavior.
All bonobo males are naturally bisexual, accepting always homoerotic relationships.
That sexual lesbian and bisexual pattern changed all the structure of their society. They really live a female social paradigm, and that female paradigm emptied the social male agressivity and violence in their society. They show they don't need males for sex and pleasure, but only for reproduction.
We need to learn from them, if we intend to have, some day, a more intelligent and peaceful society.
O Paradigma do Masculino
Existe um modelo, um paradigma de existência humana, de construção de sociedade humana, de estabelecimento de valores humanos, de construção de uma ética humana.
Eu chamo este paradigma, de paradigma do masculino. Porque todos os valores éticos prevalecentes neste paradigma, reforçam continuamente o reconhecimento dos valores masculinos, em detrimento dos valores femininos.
Basicamente, em que consiste esse paradigma?
O paradigma do masculino toma por base a família. O macho dominando uma ou várias mulheres, dependendo da cultura; produzindo filhos, com a máxima certeza possível de serem seus; considerando mulher(es) e filhos como sendo sua propriedade, zelando, não por eles, mas fundamentalmente pelo que é seu. Aqueles mesmos bens, se porventura deixarem de ser seus, já não lhe dirão mais respeito.
Toda a violência contra a mulher e as crianças, toda a violência contra os outros homens, contra o outro de uma maneira geral, são consequências inerentes a esse paradigma, e a essa definição de família. As guerras, a destruição da natureza, as escravidões e a exploração do homem pelo homem, a socialização da miséria e a capitalização do desperdício, são todas consequências lineares desse paradigma, assim como os modelos políticos de manipulação e dominação.
Existem consequências não tão lineares. As neuroses, quer individuais, quer coletivas, que levam ao desequilíbrio intra e interpsíquico, assim como em larga escala ao totalitarismo exacerbado e à autocracia absoluta são um outro exemplo dessas consequências.
Além das raízes culturais indiscutíveis dessa construção como base dessa situação atual, podem existir outras fundamentações ainda mais profundas. Afinal, biológica e geneticamente nós jamais deixamos de ser chimpanzés que pensam.
O chimpanzé, como todo primata não humano, mesmo que quase humano, vive expressando suas reações autônomas, e vivendo de acordo com elas (vide Damásio, A.R., 1998; Torres & Jurberg, 2000).
Daí a incomensurável variabilidade comportamental humana, comportamental e cultural. A capacidade de reprocessamento dessas reações nos outros primatas ainda é muito pequena.
Eu diria que o chimpanzé é o homem que não tem capacidade de reprocessar suas reações autônomas (pensar), o que equivale a dizer que o homem é o chimpanzé que adquiriu essa capacidade. Mas a base humana e a base chimpanzé são comuns. Não é isso que hoje em dia nos mostra a homologia genética de populações, quer baseada na genética nuclear, quer a baseada na genética mitocondrial (vide Horai, S et al, 1995)?
O chimpanzé traz em si, como estruturação biológica e neural, estruturas inatas de reações neurais autônomas que terminam por gerar uma sociedade em que predomina o paradigma masculino. O chimpanzé não construiu culturalmente este paradigma, ele é o resultado natural da closura de sua estrutura, no seu meio ambiente.
Como chimpanzés que reprocessam reações autônomas, nos vimos sempre envolvidos com esse mesmo paradigma natural em potencial. Nossa humanidade, e a construção de nossa humanidade e culturas, naturalmente se desenvolveram assim, a partir dessa base original.
De forma antropocêntrica, sempre imaginamos que éramos independentes dos outros animais, muito superiores a eles. Alguns chegaram a pensar que éramos qualitativamente muito mais próximos de "anjos" que dos animais. Outros separaram nossa natureza em duas, uma animal e outra da "alma", que seria característica intrísecamente nossa. Essa forma de pensar é também uma consequência bem mais complexa do paradigma masculino.
Nossa cultura se desenvolveu assim, e a família tradicional homem-mulher(es)-filhos é a célula mater desse domínio masculino. A família é a célula mater do gineceu, do harém, da dominação ideológica, intelectual, social, financeira, econômica e cultural. Para não dizer da força física, da brutalidade militar, da insanidade e do embrutecimento. A família, como hoje concebida, é a escola principal de formação de homens para dominar e impor sua violência e competitividade, e de mulheres para serem dominadas e logo se sentirem emocional e sexualmente dependentes deles. O rapaz é criado pela família para ir para o mundo, vencer e conquistar, inclusive para aprender a seduzir o maior número possível de mulheres, sem engravidá-las, e sem pegar Aids delas. A moça é criada para se submeter, considerando-se sexualmente dependente do homem, como se fosse carente de um pênis. Criada para se deixar conquistar, se deixar dominar, para parir os filhos dele, para se deixar envolver afetiva e emocionalmente por ele, para ser dominada pelos valores dele.
Os valores femininos quase sempre foram desprezados na sociedade humana, como na chimpanzé.
Bandos de machos chimpanzés devoram e esquartejam os filhotes das fêmeas, quando a fêmea nova veio de outro bando e eles acham que os filhotes podem não ser deles.Um macho chimpanzé, quando assume a liderança de sua sociedade, mata todos os filhotes das fêmeas deixados pelo líder anterior. Como os homens, que não se importam com os filhos que não são seus, e os deixam morrer à míngua nas ruas, abandonados, doentes, expostos a todas as humilhações, à degradação, morte, doença e fome. Esses filhos do alheio precisam ser excluídos do convívio dos seus filhos e de suas famílias. Podem ser mortos, pois ninguém se preocupa com seu abandono e sofrimento. Podem ser depositados em depósitos na Febem, quase como animais, como se fossem o rebotalho da sociedade.
Os machos chimpanzés continuamente agridem e aterrorizam as fêmeas. Como os homens, que continuamente, de forma agressiva, ousam levantar sua voz contra suas próprias esposas diante dos filhos; ousam desacatar, quando não agredir fisicamente suas companheiras, como se fossem objeto de uso e abuso. Não valorizam na mulher suas qualidades e seu esforço contínuo, porque só percebem valor em si mesmos, e depreciam todo valor feminino. Querem a mulher para usar e abusar, e depois guardar como um troféu sobre a lareira, a mulher que foi seduzida, dominada, vencida, submetida. A mulher que deixou que ele a seduzisse e "comesse". Eles chegam mesmo, muitas vezes, para vergonha de nossa humanidade, a agredir física e sexualmente suas esposas, e até suas próprias filhas, ainda achando essa uma atitude justificável. Chegam a desenvolver teorias sobre o intrapsiquismo humano para justificar o macho agressor, com a decorrente demonstração da dependência da mulher do falo, conseguindo uma forma sutil de culpabilizar a fêmea indefesa mesmo quando ela é agredida sexualmente, mesmo quando abusada ainda menina. O homem chega a "matar pela honra", pelas costas, uma mulher que não mais o suportava, e depois ainda chega a procurar denegrir a imagem e a memória da mulher que ele tanto "amava".
Toda fêmea velha, na sociedade chimpanzé, depois de usada toda a vida como um objeto sexual para produzir filhotes, corre o risco de ser agredida e encontrada sozinha na floresta, de ser morta pelos machos que vagueiam em bandos pela floresta. Como entre os homens, as fêmeas velhas viram sexualmente bruxas, e muitas delas já foram mortas por eles em fogueiras.
A sociedade humana e chimpanzé tiveram uma única e mesma origem.
A filosofia humana se desenvolveu sob esse mesmo paradigma. Na filosofia os valores considerados masculinos de racionalidade, inteligência lógica, frieza e insensibilidade, foram sempre considerados "pureza" intelectual, e os considerados femininos como a emotividade, a suavidade, o calor humano, a intuição e a afetividade, valores inferiores, corrupções, impureza, mediocridade.
A "pureza" platônica, a "pureza" da separação da alma do corpo em Descartes, a "pureza" da razão pura em Kant, não passam de consequências complexas da mediocridade do paradigma masculino (sobre esse assunto, um estudo excepcional e profundo foi desenvolvido por Schott, R., 1988).
O chimpanzé nos mostra a origem profunda em que estão embasados nossos conceitos mais humanos, de nossa cultura, de nossa humanidade, de nossa filosofia e ideologia.
Mas um outro macaco muito mais interessante nos mostra a possibilidade de um novo caminho, um novo paradigma, de uma nova filosofia, que permite a ereção de uma nova sociedade. Um novo caminho que se construiu e se fez novo na própria natureza.
O bonobo nos mostra como é uma sociedade em que impera e onde vigora o que podemos chamar de paradigma do feminino.
Há mais ou menos 4,5 milhões de anos, começou, a partir do chimpanzé, uma diferenciação evolutiva que terminou por sermos nós mesmos. Mas, aproximadamente 2 milhões de anos depois, surgiu, a partir do mesmo chimpanzé, uma nova opção evolutiva. Um novo caminho evolutivo, diferente do nosso, mas com a mesma origem, que são os bonobos.
Hoje em dia, nas florestas de Wamba e Lomako, na República do Congo, existem tribos de bonobos na natureza. Elas vêm sendo estudadas desde 1974, "in situ" por uma equipe de antropólogos e primatólogos da Universidade de Kioto do Japão, liderados por Takayoshi Kano. As conclusões dessa e de outras equipes têm sido quase que inacreditáveis para nosso padrão masculino ideológico (vide de Waal, F & Lanting, F, 1997):
1) Sistematicamente, toda fêmea bonobo se relaciona de forma lésbica, existindo um verdadeiro sistema feminino de relações na espécie;
2) Existe uma maior quantidadede relações sexuais lésbicas que heterosexuais;
3) Toda bonoba é bissexual, se relacionando de forma lésbica por afetividade e prazer (inclusive elas se masturbam, o que demonstra sua capacidade intríseca de atingirem o orgasmo e sentirem prazer), e eventualmente se relacionando com machos, com um fim reprodutivo;
4) O estro, o período em que a bonoba está fértil, é muito prolongado, quase como na mulher, que não tem estro. Portanto, elas quase sempre estão sexualmente disponíveis para o coito com machos, ou para se relacionarem de forma lésbica. Elas preferem naturalmente a forma lésbica, e eventualmente o coito.
5) Esse comportamento lésbico, essa verdadeira ligação feminina, essa convivência íntima e existencial feminina muito forte, como consequência, gerou na sociedade bonoba o esvaziamento do poder dominador masculino, e uma consequente valoração dos valores femininos. Emtre esses valores e esse esvaziamento de poder masculino, podemos incluir:
a) Não existem agressões de machos contra fêmeas nessa sociedade. Nestes 26 anos de pesquisas, nas florestas e em parques, jamais se reportou uma agressão masculina contra fêmeas no mundo bonobo, apesar de fisicamente o bonobo macho ser proporcionalmente maior que o homem macho com relação a mulher;
b) Existe um contínuo comportamento homoerótico entre os machos, e algumas vezes esse comportamento se consolida em relações masculinas homossexuais;
c) o poder social masculino naturalmente foi neutralizado, na prática, pelas bonobas,que emocional, sexual e eroticamente se bastam, evidenciando não dependerem quer sexual quer psiquicamente do contato com os machos; d) O bonobo macho, para conseguir se aproximar da fêmea para a cópula,geralmente precisa apresentar algo para a troca, uma fruta, um pedaço de cana ou de raiz, para com ela se relacionar. As fêmeas, para se relacionarem entre elas, não precisam de tais artifícios.
e) entre chimpanzés, quando bandos de diferentes tribos se encontram na floresta, ocorre sempre uma luta de morte entre os machos, e a fuga das fêmeas e dos filhotes, como é comum entre tribos humanas; por outro lado, entre os bonobos, quando ocorrem estes encontros, têm sido reportadas inúmeras situações em que os machos inicialmente começam a ser agressivos entre si, gritando e se provocando das árvores, mas logo as fêmeas dos dois bandos os ignoram e começam naturalmente a se relacionar sexualmente entre elas, e os filhotes delas a brincar entre si, esvaziando totalmente o poder e agressividade masculinos. Logo os machos passam a se relacionar entre eles de forma homoerótica ou mesmo homossexual, e num período posterior,começam a haver relações genitais de machos com fêmeas, de ambos os grupos.A atitude lésbica delas, leva ao total esvaziamento da violência deles, e entre eles.
Estes fatos nos levam a concluir que na sociedade bonoba impera um novo paradigma biológico, psicológico e social, em que socialmente o feminino como valor passa a ser considerado como preponderante, tendo o masculino seu lugar reduzido, não permanecendo de forma alguma como o mais importante, em nenhum nível.
O Paradigma que reprime a Violência
Podemos aprender com as bonobas.
Principalmente nós, mulheres, devemos aprender com as bonobas. Nossa sociedade como um todo, se quer ser uma sociedade pacífica e includente, precisa aprender com a natureza que gerou a sociedade bonoba.
Podemos, na prática de nossas vidas, tanto íntima como social, criar condições de podermos recriar nossa vida estruturada em novos moldes, sabendo que, assim agindo, estaremos podendo criar uma nova vida, não só para nós particularmente, mas para a sociedade humana como um todo.
Hoje em dia todos dizem querer minimizar a violência social e existencial contra si e suas propriedades, mas, na realidade, todos querem preservar a possibilidade de ser violentos e agressivos contra os outros. Cada homem pretende preservar sua família, os seus bens, as suas posses, seus utensílios de seu uso e abuso, aí incluídos mulheres e filhos.
A forma estável, inteligente, perene e real de estabelecermos uma sociedade menos violenta e mais justa, será através da bonobização da nossa sociedade e de nossos valores, e não através da perpetuação de nossa sociedade humana-chimpanzé. Não adianta gerar mais violência através do aprimoramento do poder da polícia. Também não bastará a melhoria social e econômica neste sistema, e uma melhor distribuição de renda apenas, porque o próprio sistema estruturalmente não se sustenta. Precisamos mudar o paradigma do sistema social, pela institucionalização de novos valores.
O Equívoco Fundamental do Feminismo Atual
A mulher tem procurado se igualar ao homem em tudo. Isso não faz o menor sentido.
Em primeiro lugar, porque são diferentes, física e psiquicamente.
Em segundo lugar, porque não vale a pena a mulher querer se equiparar ao homem, se igualando a ele a partir da maneira de ser dele, e do sistema gerenciado por ele.
Em terceiro lugar, de nada adianta competir com ele, sob as regras e as manipulações dele. Competir com ele, partindo do pressuposto de que os valores femininos são inferiores. A mulher, para garantir uma oportunidade profissional mais digna e equitativa, mais uma vez ideologicamente se submetendo ao domínio de seu dono e senhor, tendo que se travestir de homem num escritório para ser respeitada, não por si mesma e seus valores, mas por se submeter aos valores dele.
Em quarto lugar, quem gosta equivocadamente de competir é o homem, e o sistema imposto pelo homem é que impõe o padrão social insensível e competitivo.
Em quinto lugar, o homem está mais habilitado que a mulher, não para exercer o poder e funções de mando, mas a exercer as funções mais pesadas no sentido físico do termo, e essas funções devem permanecer específicas dele, inclusive no âmbito doméstico.
O feminismo tem caído na armadilha de querer enfrentar o homem no campo do homem, usando as regras dele, jogando o jogo dele, e se deixando envolver emocional e afetivamente com o jogo preparado por ele. A posição correta para enfrentar a situação é justamente a oposta:
Primeiro: não jogar o jogo masculino da competição. A mulher não tem que competir com o homem, mas mostrar que é muito menos dependente dele do que ele imagina, mesmo emocional, sexual e afetivamente.
Segundo: se conscientizar de sua capacidade de independência emocional e sexual com relação ao homem, podendo perfeitamente se sentir afetiva, emocional e sexualmente feliz se relacionando com outra mulher.
Terceiro: determinar as regras do jogo que terminam por valorizar o feminino, valorizar a suavidade e afetividade, valorizar a intuição e a complementaridade, o desenvolvimento sistêmico, e não a competitividade desmedida (um movimento de preparação filosófica nesse sentido podemos encontrar em Capra, F, 1982).
Quarto: jogar no seu campo, no seu terreno, com as suas regras. Podendo esvaziar, assim, toda a violência exacerbada, com sua atitude independente esvaziando a violência desmesurada. Uma atitude política feminina, de forma bonoba, poderá progressivamente atingir esse objetivo.
Quinto: pegando em suas mãos o destino, o seu destino pessoal e o destino de seus filhos e filhas. Educando-os para o mundo humano-bonobo e não mais para o humano-chimpanzé. Criando meninos não para serem tiranos e dominadores, mas para respeitarem o outro, seja esse outro homem ou mulher, sem excluir a princípio, de sua vida, e, futuramente, de sua cama, quer o homem, quer a mulher, de forma apriorística e discriminatória. Criando filhas para a vida e para serem felizes nesta vida, quer venham um dia a amar um homem ou outra mulher, não construindo barreiras, não impondo pré-condições, não estabelecendo limites rígidos, mas permitindo o fluir da vida em seus filhos, e criando-os de forma flexível, dando margem a que se desenvolvam e possam ser felizes. Confiando mais na qualidade de seus filhos, e na capacidade deles virem a gerar sua própria história, que será sempre deles, e jamais sua. As mães dizem se preocupar com a felicidade dos filhos e filhas, mas na realidade se preocupam muito mais com seus próprios medos e princípios, com suas limitações, nada mais fazendo que projetar nos filhos sua própria insegurança.
Sexto: as mães conscientes precisam dar esse passoa frente e perder o medo. Seus filhos serão felizes, se puderem ser livremente quem são, sem restrições neurotizantes. Eles serão felizes se aprenderem a se respeitar, tendo a capacidade de criar livremente sua própria condição de felicidade. Precisam aprender a incluir e não excluir. Isso é atribuição educacional da mulher, e, se ela for inteligente, ela preparará seus filhos a não excluir, não fechar a porta de seu coração para ninguém, inclusive para o relacionamento homoerótico e homossexual. Ela fará isso, dando liberdade para o garoto ser e se desenvolver. Sem recriminar as opções a atuações dele, mesmo que homoeróticas e homossexuais. Esse pode ser o melhor caminho para ele. Ele precisa ter, pelo menos, a liberdade de seguir esse rumo, se considerar ser o melhor para ele. O mesmo para a filha, que não será mais criada para se deixar envolver afetivamente pelo homem, como única e obrigatória condição, mas a procurar ser feliz, quer com um homem, quer com uma mulher, estando ela livre para se abrir para a vida, para as suas circunstâncias, para seus momentos, para construir sua própria história, para desenvolver sua condição de ser feliz. Geralmente, mães que passaram, e ainda passam, por situações desagradáveis com um homem, insistem em preparar suas filhas para o mesmo caminho que elas trilharam, achando que elas encontrarão homens melhores. Na realidade, elas encontrarão sempre os mesmos homens, e precisam ter a chance de se defender e caminhar num caminho alternativo que pode conduzi-las a mais felicidade. Essa porta possível, as mães não têm mais o direito de fechar para suas próprias filhas, pelo menos se forem suficientemente inteligentes.
Sétimo: gente gosta de gente. A criança deve ser educada para gostar de gente, e não obrigatoriamente gente do sexo oposto. Pode-se gostar do sexo oposto, sem dúvida, mas sem imposições e pré-requisitos pré-instituídos como uma obrigatoriedade, mas como uma decisão livre e autônoma. Uma menina lésbica, ou um garoto gay, não são, nem podem ser, considerados uma vergonha para a família, motivo de desgosto para os pais, uma situação que deve ser evitada a qualquer custo. Não são essas as situações que devem ser evitadas, mas as situações em que os filhos e filhas se vêem impedidos pelos pais, e pela família, de serem eles mesmos, de seguirem seus caminhos próprios, que vêem obstruídos, vendo sua autonomia desrespeitada, gerando traumas, conflitos e neuroses.
Oitavo: aprendendo a redefinir as regras do jogo com as bonobas.
O Paradigma do Feminino: A bonobização da sociedade
Essa bonobização passa, e obrigatoriamente, tem que passar, pela redefinição do que é família. Não há necessidade de nenhum matriarcado institucional, mas há a necessidade premente da redefinição do que é família. Redefinir a família como ponto de referência que permita o desabrochar da realidade feminina, estabilizadora, pacificadora, harmonizadora. Reformar o projeto de família, onde a criança deixe de ser a propriedade dos adultos, e o palco onde os adultos extravasam suas neuroses, ou a massa moldável, em que os adultos procuram moldar sua própria ignorância e muitas vezes expressar sua própria limitação e mediocridade. Essa família nova deve ser o local de formação de uma sociedade mais respeitadora da criança, mais acolhedora de sua natureza, mais acolhedora de seus caminhos, menos manipuladora e mais participativa. Essa nova família não pode mais se apegar aos velhos valores na hora de educar os filhos. A educação da menina não pode mais passar sempre pela adequação da mulher, automaticamente ao domínio e dependência do homem, e à negação da possibilidade de relação com outras mulheres. A educação do menino não pode mais ser indutora da violência contra a mulher, à pretensão do domínio, e à repugnância pelos outros homens. Essa nova família não pode ser erguida sobre bases consanguíneas rígidas, que hoje são determinadas pelo poder masculino em querer ter a certeza quase neurótica da paternidade. Essa paternidade compulsiva, tem levado não à conformação, nas à deturpação e deformação da família. O conceito de família precisa ser repensado dentro dessa nova possibilidade, tendo naturalmente que ser flexibilizado, permitindo novas alternativas em sua concepção e estruturação.
A rigidez da estrutura homem-mulher(es)-filhos se mostra, numa sociedade menos chimpanzé e mais bonoba, pouco coerente e nem sempre sustentável. Hoje ela se mostra mais uma fábrica de meninas neuroticamente submissas, meninas histericamente dependentes, quer sexual, quer afetivamente, do poder masculino, assim como de meninos e rapazes neuróticos com sua necessidade de competição, de domínio e conquista, com um medo avassalador de se interessar pelos outros homens, no sentido sexual e afetivo. Pela sociedade bonoba, pode-se ter uma unidade familiar baseada na relação mulher-mulher-filhos de ambas, por exemplo, eventualmente homem-homem, ou mesmo homem-homem-filhos, quando for o caso, o que seria uma opção menos provável. De qualquer forma, o conceito de fanília tem que se abrir, ser revisto, ser alargado, ser bonobizado.
Passa pela redefinição, na família e na sociedade, da educação sexual de crianças e adolescentes. Deixar-se de induzir culturalmente as crianças e adolescentes a interpretarem papéis de gênero estereotipados de forma heterossexual, como coisa melhor, certa e normal, mostrando-se que, em orientação sexual, toda orientação é normal, certa e melhor, importando muito mais a felicidade existencial que é harmonizadora de problemas intra e interpsíquicos, que as imposições sexuais do paradigma masculino. Temos que nos conscientizar, de uma maneira definitiva, de que amamos nossos filhos e queremos o melhor para eles; teremos que antes de tudo, respeitá-los e lhes dar a chance de descobrirem o que é melhor para cada um deles. Temos que compreender que é melhor estar adequado existencialmente numa condição social ainda não totalmente favorável, que se amoldar ao social hoje mais favorável, vivendo um inferno existencial. Porque é justamente reservando o existencial, que a sociedade dialeticamente caminhará para o ajuste social.
Passa pela redefinição das relações entre mulheres, pela aceitação da relação entre mulheres como elemento estabilizador e pacificador, além de ser o elemento aliviador das tensões intra-psíquicas femininas. A relação mulher-mulher como elo de suavidade, de comunhão, de ternura, de prazer, muito mais forte que qualquer elo mecânico puramente genital. A relação mulher-mulher como complementação emocional e afetiva e como compreensão mútua, de vivência e de companheirismo, do vivenciar em todos os níveis e sentidos os mesmos sonhos, do vivenciar e participar do mesmo encanto e sentimento, duma mesma realiade, usufruindo e participando dom os mesmos anseios de um mesmo universo.
Passa pela readequação do relacionamento homem-mulher, compreendido não mais como relação única e exclusiva de complementaridade (complementaridade que ao longo da história tem se mostrado mais anatômica genital que emocional e afetiva), mas como necessidade eminentemente reprodutiva, que cada vez deve perder em importância no momento histórico futuro, pela própria superpopulação mundial. Mantidos o paradigma atual e o progresso crescente da medicina, num futuro próximo, ou nos mataremos todos, não mais por petróleo, mas por água, por alimento, por ar, havendo a exclusão sistemática de grandes porções da humanidade das mínimas condições de subsistência, principalmente de mulheres e crianças, como hoje já acontece na África e América Latina principalmente, em nome da ordem e do desenvolvimento econômico internacional (inclusive com a provável internacionalização da Amazônia, de forma pacífica ou com muita violência), ou haverá o crescimento e amadurecimento da formação de castas, que já teve início como classes, castas étnicas, econômicas, culturais, com a consequente eliminação de muitos em benefício de alguns, com a final escravização de quase todos, pela mediocridade generalizada. Como, com uma perspectiva dessa ordem, se poderá imaginar que a violência na sociedade poderá decrescer? Todas as produções futuristas de ficção passam inevitavelmente por um futuro de extrema violência, porque não se admite que se mude o paradigma do masculino hoje prevalecente, ao contrário, se espera que o poder masculino cresça e se extravase em mais e mais violência.
Numa sociedade humana bonoba, a relação homem-mulher só se mostrará estável, quando o homem se bonobizar a ponto de ser o companheiro real, aquele que é um homem na cama, suave, atencioso, carinhoso, amigo, compreensivo, paciente, terno e sedutor, mas que depois também será na vida aquele que poderá incorporar para si o universo feminino, do sonho, do encantamento, da fascinação, fazendo sexo como um homem, mas tendo a sensibilidade feminina de uma mulher. Essa situação de quase super-homem, essa situação de androginia existencial e funcional, dificilmente poderá na prática ser atingida, e não foi mesmo pelos bonobos, e, por isso, as fêmeas se relacionam muito mais entre elas que com eles.
Por isso, a alternativa passa pela aceitação social do relacionamento homem-homem, não só como relacão intelectual, nas mesmo como relação homoerótica afetiva e emocional; pela relação homossexual como opção viável de desenvolvimento afetivo, emocional e mesmo existencial. Nesta sociedade do paradigma masculino, o contato íntimo de um homem com outro homem tende a repugnar os homens, justamente porque na realidade eles se reconhecem, eles desde crianças são ensinados por seus pais e mães, na família e na escola a se reconhecerem como agressivos e grosseiros, e por sua própria atitude entre eles mesmos terminam por externar que se reconhecem como sendo dificilmente suportáveis. Eles mesmos têm dificuldades em se suportar, e em suportar uns aos outtros a nível emocional e afetivo. Não se beijam, não se abraçam, não se dão as mãos, não se tocam e não se acariciam, qualquer contato físico lhes parecendo repelente. Eles se euportam a nível profissional, esportivo, competitivo. Quase todo o tempo eles competem e se enfrentam.
Mas eles crêem, porque foram ensinados a crer dessa maneira pelas próprias mães, que por uma necessidade física e fisiológica as mulheres carecem necessáriamente do contato com eles, e precisam suportá-los, obrigatóriamente, como se eles fossem os únicos propiciadores possíveis do contato sexual, erótico e afetivo que elas precisam e do qual sentem falta.
Não é verdade.
As bonobas mostram como, afetiva e eroticamente, as fêmeas são independentes dos machos. Elas mostram que a vivência do prazer pode ser experimentada mais plenamente entre elas, que com eles. Freud inventou, com base no paradigma masculino, o orgasmo vaginal "maduro" atingível apenas no coito homem-mulher, independente do orgasmo clitoriano "infantil" possível de ser vivenciado na relação entre duas mulheres. As bonobas preferem permanecer com o seu orgasmo "infantil", satisfazendo-se entre elas. Hoje se sabe que Freud estava equivocado. Muitas mulheres casadas, que jamais têm prazer, que jamais conheceram o prazer, mas que sempre se sentiram usadas, também sabem disso, mas sempre sofreram por não poderem experimentar o orgasmo "vaginal", mas apenas o clitorial, isso se tivessem coragem de se masturbar. E, por medo do pecado e vergonha de sua própria sexualidade, jamais tiveram a coragem de se relacionar com outras mulheres.
Ideologicamente, mesmo a medicina, a sexologia e a psicologia, como toda a academia, passam esta imagem para a sociedade de forma opressiva. Procuram convencer as mulheres de que elas indiscutivelmente precisam de homens para serem felizes, desde que são meninas, desde que são bem pequenas. Instituiu-se o pênis como ídolo do prazer feminino, quando na realidade ele é mais ídolo da fertilidade e dominação masculina. Sempre esses fatos foram defendidos como se essa fosse uma decisão absoluta, originada inquestionavelmente da natureza. Com sua autoridade, a academia e os especialistas confirmam as posições tradicionalistas das famílias e sociedade, e impõem às mulheres este paradigma de forma dura e tirânica, do qual não podem se desviar sem serem agredidas e humilhadas, sem se sentirem sujas e indecentes. Passa-se sempre a imagem que, para a mulher "honesta", o ideal da mulher é ser mãe. Ser mãe e padecer no paraíso. Portanto, assim se diviniza o pênis fecundador, e se culpabiliza a relação afetiva e sexual entre mulheres, como coisa estéril, como coisa anti-natural, como coisa "suja". Mas, no futuro, o ideal da maternidade não mais poderá ser o ideal!
Então, hoje em dia, se procura induzir a mulher, mostrando que, provavelmente, o ideal será a pílula ou a ligadura de trompas, ou mesmo a "camisinha". Mas a infertilização da mulher também é um ideal de dominação masculina, que permite um ainda maior uso e abuso da mulher pelo homem, e um domínio quase absoluto. Com a liberação sexual, a mulher, que antes era "saudavelmente" anorgásmica, agora, ao invés de ter se libertado, e ser dona de seu próprio corpo e de seu destino, se deixou novamente subjugar, se tornando escrava sexual de seus próprios orgasmos, tendo que ter prazer sempre que solicitada pelo homem. A liberação sexual da mulher foi a armadilha preparada pelo homem para usar e abusar ainda mais da mulher, apenas agora exigindo reciprocidade. Porque antes, ela era usada e abusada pelo marido. Hoje em dia, além do marido, ela é usada e abusada pelo namorado, que não assume um compromisso com ela, ou pelo marido e pelo amante.
Os homens precisam é se aceitarem como são, e aprenderem a se suportar com sua própria masculinidade, desde a primeira infância, não rejeitando sua masculinidade nem a masculinidade do outro nas relações afetivas e emocionais. Se fossem tão bons, não se rejeitariam entre si como se rejeitam. E os homens não podem querer forçar as mulheres a suportá-los, quando eles mesmos não se suportam.
Mas, cabe às mulheres conscientes, começar a reverter essa forma de educar o menino e a menina, na sua família, começando com seus filhos, se complementando no sistema educacional. A criança não pode ser educada como uma coerção para ter um tipo de comportamento, mas deve ser educada para ser feliz, e não impedir os outros de serem felizes. Para isso, ela precisa de liberdade para vir a expressar seus sentimentos mais íntimos, estando sempre protegida por ter aprendido a evitar a exclusão do outro, abrindo para si mesma e introjetando em si opções e possibilidades para ela mesma, ampliando seus limites, derrubando barreiras, abrindo horizontes que poderão vir a ser libertadores. Por exemplo, uma menina que venha a se relacionar com um homem, sendo infeliz, ela poderá se defender contra essa situação, e procurar de outras formas sua felicidade com uma outra pessoa, seja um outro homem ou uma mulher, com liberdade e segurança, não constrangida por fatores limitantes. Não falo de uma educação homossexual dirigida, que seria o outro equívoco, mas a educação para a naturalidade do não excluir possibilidades, do abrir ao leque das perspectivas, do não pré-determinar necessidades, do poder amar sem se culpar, do poder se apaixonar e se encantar com o outro ou com a outra, indiscriminadamente, com o objetivo de ser feliz, incluindo no seu universo novas perspectivas, sem fechar para todas as outras, mesmo para as de dominação hoje existentes. Se uma mulher, realmente livre e criativa, preferir a relação heterossexual como hoje em dia ela se processa, será apenas uma das muitas opções que ela terá. E entre essas opções, ela poderá criar seu universo próprio e apenas com essa liberdade de ação sem culpa ela sempre poderá encontrar satisfatóriamente seu lugar. Mas não é isso que uma mãe deseja para seu filho ou filha? Que eles tenham a chance de poderem ser felizes, encontrando adequadamente seu lugar em seu mundo? Para isso, cabe aos pais, à educação sempre abrir possibilidades, e não eliminar alternativas possíveis, pois de repente, um dia, a falta dessas alternativas poderá gerar efeitos catastróficos no caminho das pessoas.
Alguém poderá argumentar que essa abertura essencial de possibilidades seria indutora de comportamentos não convencionais, o que seria perigoso para a criança. É verdade, o aumento de possibilidades e de leques de alternativas, produzem uma variação maior nas respostas justamente porque a restrição das respostas não era conveniente!
Por exemplo, você vai tomar sorvete, e só tem de limão e abacaxi. Mas você adora limão, ele é o seu preferido. Mesmo que houvessem mais 20 sabores, você escolheria o de limão. Mas você mesmo, ou outra pessoa, gostade sorvete de pistache, e não tem esse sorvete na sorveteria. Ele se contenta com o de abacaxi, nas preferia o de pistache. O ideal é que a sorveteria tenha uma gama muito variada, para que cada um escolha livremente o que mais lhe agrada, o que lhe é mais conveniente. Assim ë com a vida e a sexualidade. Pode-se tudo, e escolhe-se o melhor. E não podemos limitar o gostar dos nossos filhos, porque a vida determinará os gostos livremente, e não nós.
O homem macho percisa se bonobizar, e deixar de ser esse chimpanzé violento, agressivo, prepotente e arrogante, inclusive para ser menos temido, e mais amado. Precisa se tornar um macho bonobo, que é mais dócil, que é mais suave, que pode melhor ser integrado no convívio, quer feminino quer masculino, de forma igual. Como o bonobo, que prefere ser agredido a agredir, que não impõe sua posição e procura exercer seu papél de procriador e participador no cuidado social dos filhos, dos seus e dos outros, e, principalmente, disposto a não se preocupar neuróticamente com quais são seus e quais são dos outros; reconhecendo que eles são menos deles, e muito mais delas. Juridicamente, a propriedade deve estar sempre ligada às mulheres, que sempre se mostraram melhores administradoras, principalmente as mais responsáveis pelos filhos.
Mais dóceis e mais bonobos que chimpanzés, numa sociedade humana com paradigmas femininois, eles encontrarão o seu lugar como procriadores, não de suas crias, mas como participantes da geração das crias delas, que herdarão, através delas, que perpetuarão a linhagem delas. Nisso, a natureza, mais uma vez, tem sido mais sábia que nós, quando estabeleceu que o DNA mitocondrial só se transmite pela linhagem materna, como deveria ser a transmissão de patrimônio entre humanos. O patrimônio genético humano, então, é recebido de uma forma mais intensa da linhagem materna que da linhagem paterna. Assim, para transmissão de patrimônio social, não haveria a necessidade de processos de investigação de paternidade.
Não mais sustentadores de seus valores agressivos e de suas posses, os homens-bonobos seriam ajudantes do amadurecimento dos valores pacificadores delas. Assim o macho humano encontrará o seu lugar nesta sociedade, principalmente se libertando de suas limitações e implementando, sexual e emotivamente, as relações de homens com homens, aprendendo a conviver e a respeitar a convivência afetiva homoerótica de homens com homens. E, quando se relacionar com mulheres, compreenderá que elas precisam tanto dele quanto ele delas, ou seja, estarão unidos pelo amor e pelo encantamento mútuo, e não como imposição social, e que, na realidade, ninguém é dono de ninguém, e ser humano, seja homem ou mulher, jamais pode ser considerado mercadoria de troca ou objeto de uso.
Porque, como os bonobos, todo ser humano é em si bissexual, e pode se apaixonar de forma hetero ou homo, pode amar, e se envolver, e se deixar envolver, de forma hetero ou homo, dependendo do momento, dependendo das circunstâncias, dependendo da fase da vida, e, principalmente, do nosso universo, no qual nos sentimos bem, e no qual queremos viver.
Uma sociedade humana-bonoba, sem dúvida, será bem mais equilibrada, pacífica, inteligente e viável no futuro, do que a humana-chimpanzé como a nossa atual, que tende à extinção por sua própria auto-destruição.
Referências bibliográficas:
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* Wal F. Torres é Phd em engenharia, filósofa, mestranda em sexologia pela UGF.
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