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Hoje eu acordei e profetizei o fim do meu mundo;
pois nele tudo estava imundo;
pois nele só reinava a morte.
Ao norte Carniça,
Ao sul Cobiça,
A oeste Solidão,
A leste, a Morte estava de prontidão
Hoje olhei-me no espelho, e para meu desespero, o espelho olhava para mim;
E mostou-me o que seria o fim, o meu fim. Mostrou-me "eu".
Um anjo, mensageiro de Deus, tocou-me.
Deu-me vida, aquela que entreguei à morte, e disse-me:
- Assim és tu. Assim como eu. Prisioneira de si, do seu corpo, seu Carandiru. Seu corpo, nobre cela, pedaço da perfeição imperfeita, condena-te a ser testemunha do crime da noite ao matar o dia, e envolvê-lo em seu manto de escuridão.
Disse-me:
-Sorria!
Sorri. E então, aquele espelho, que profetizara comigo o meu fim, mostrou-me, assim, eu, simplesmente eu.
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