Aqui se faz, aqui se paga…
Nessas minhas andanças por esse Brasil de meu Deus aconteceram fatos muitas vezes engraçados, mas esse foi, no mínimo, inusitado...
Lá vou eu, pela enésima vez, a Porto Seguro.
Como eu já disse antes, mulher sozinha na estrada ou é vagabunda ou está a espreita de homens alheios. Ledo engano, como vou narrar a seguir...
Fiquei num hotel em Cabrália onde conheci um bocado de gente do bem, entre eles, um casal não tão do bem assim. Estavam em lua de nel e a mulher cismou porque cismou comigo.
Logo eu, que conhecia cada palmo e cada pessoa de Porto e estava lá apenas para rever amigos e curtir ao máximo.
Sem mais delongas. Fiz amizade com o tal casal (mais com o marido que com a esposa, pois ela me detestou à primeira vista. Cada vez que eu estava por perto ela agarrava o maridão, como se eu estivesse ali para roubá-lo, e não tivesse coisa melhor para fazer em Porto Seguro, no verão), alugamos um boogie e, com mais um casal, fomos curtir os points badalados da cidade.
Na volta ao hotel, um banho de piscina para "tirar o sal da praia", uma ida ao apê para um banho, trocar de roupa e se preparar para a night.
Até aí, morreu o Neves, não fosse...
uma morena de parar o trânsito que apareceu, como que brotada do chão.
Olha que não sou chegada em mulher, mas se fosse, com certeza teria "batido palminhas".
A mulher era uma deusa maravilhosa. Corpo escultural, como se tivesse sido desenhada a lápis e sem retoques.
Resuminho da ópera, meu "amiguinho", esse mesmo que estava em lua de mel, literalmente travou.
As 4 e o estepe tombaram pela morenaça.
Nem preciso dizer que a morenaça também se interessou, e muito, por ele.
Taí a merda feita. Foi o dia da revanche...
Eu que não sou bobinha nem nada, percebi o clima.
Aliás, eu e a torcida do Flamengo percebemos; menos a "bonita".
A mulher dele, de tão preocupada comigo que estava, nem se tocou do perigo iminente.
Não sei o que se passou pela cabeça dela: não sei se não se tocou porque a morena estava acompanhada, ou se ela achou que a morena era muita areia pro caminhãozinho do maridão; afinal de contas, eles estavam em lua de mel.
Foi quando eu entrei em ação.
Percebi o clima, não me fiz de rogada e num momento propício, chamei-o de lado e propus:
"Quer a chave do meu apê?"
Loucuras de 20 e poucos anos. Hoje eu não faria isso.Na época, tomada de raiva da mulher, eu fiz!
Adivinhem? O "maridão" topou na hora.
Só fiz um pedido.
"Limpem o quarto, afinal, não estou a fim de dormir em porra do alheio." (risos)
Resumindo, de novo, peguei o boogie, me larguei por aproximadamente 2 horas, com 3 pessoas que conheci lá mesmo, no hotel.
Quando voltei, o quarto estava limpo, com roupa de cama trocada.
Não sei o que rolou, não servi de colchão; mas, no fim da noite, no saguão do hotel, um Martini surgiu nas minhas mãos, e um brinde silencioso e cúmplice foi feito do outro lado do saguão.
Pois é... Aqui se faz, aqui se paga!