Sal da Terra

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Loucuras de Natal

1 - Empurrarem o peso do galho e das folhas da lichia, pra "compensar" o precinho camarada que eles anunciam. Sim, beware aqueles que forem comprar no Mercadão, tem gente fazendo isso, lá.

2 - Ter que aguentar equipe de televisão trombando na gente em TUDO que é lugar: Mercado, Shopping, feira, praça... sério, o que tem estagiário de jornal regional desesperado pra ser efetivado neste final de ano não tá no gibi.

3 - Ler uma matéria de crítica gastronômica de RABANADA no Guia da Folha. Comer rabanada em restaurante é coisa pra quem é órfão de TUDO, inclusive de fogão.
Pô, no meu tempo rabanada era resto: o resto do pão, com o resto dos ovo (aliás, detalhe, dá perfeitamente e é gostoso fazer a dita-cuja só com as claras que sobram da inefável pincelagem de tortas e roscas), com o resto do leite, e do açúcar. Era coisa que se fazia em domingo de manhã, pra adoçar o bico da criançada e pra fazer desculpa de comer coisa gostosa pra quem não come doces, porque rabanada sem açúcar, especialmente se for feita com pão italiano, é assim uma dilíuça, privativa das mesas elegantes MESMO. Desde meus, sei lá, 10 anos de idade eu prefiro rabanada desse jeito. E não, nunca botei sal no negócio, eu tenho uma sensibilidade a sal danada, o do pão pra mim já tá bom. Quem tiver dente salgado, como a minha mulher, sinta-se avonts.

4 - Ler, na tal crítica da rabanada dos aflitos (porque, reitero, aflito é aquele que não tem quem lhe faça uma, nem tenha uma espiriteira, meio ovo, 3 culé de leite e uma fatia de pão drumido à mão), a expressão "Calórico e delicioso". Alguém, um dia desses, qualquer, vai ensinar pra esse povo anoréxico e ingrinoranti do jornalismo brasileiro que as únicas coisas não calóricas DO MUNDO são o ar, a água pura e a Coca Light (sim, porque a Zero tem uma ou duas calorias por litro).

5 - Ler, em outra história de horror natalina, que existe, agora, a Pizzatone. Sim, é uma pizza doce com frutas cristalizadas em cima. E o Pasteltone. Entre várias outras aberrações. Eu conheço UMA pessoa que é capaz de comer essas coisas e ainda dizer que está uma delícia, mas isso porque ela tem pobrema, tadinha.

6 - Ir comprar roupa de praia numa loja pra mulheres GORDAS, que ANUNCIA ter roupa até o tamanho 56, e ver a minha mulher, QUE NEM GORDA É, ter que comprar um maiô 50, porque os descarados dos donos da loja só vendem maiô pra quem tem até 1,30m de altura, sem contar a curva da barriga.
Por conta desse tipo de aberração, Jessica Luchesi, que tem 1,75 e sei lá qualquer coisa, vai ter que ir na praia com um maiô 2 tamanhos maior.
E eu vou de biquíni.
E FODA-SE quem achar ruim de ver meu barrigão à mostra: tá incomodado, vai reclamar que não tem padronagem de tamanho no Brasil lá no Congresso, na casa do Bispo Macedo, ou na oreia da pqp. E sinta-se feliz que não é fio-dental.

7 - Ler 2875000 manés e creuzas fazendo cruzada contra o consumo de álcool, porque beber faz a pessoa virar alcóolatra.
Interessante, EU bebo e não sou alcóolatra. Minha mulher bebe, e também não é. Será por que, ao invés da maioria dos imbecis que tem por aí, nós bebemos pra sentir o sabor da bebida, e não pra ficar bêbadas e sair vomitando nos outros? Será que a gente não exagera, não dirige depois de beber, nem bebe quando vai dirigir, porque ao invés de fazer como quem tem a autoestima abaixo do cocô da cobra, a gente tem autocontrole e não se entope de mé, mesmo que tenha algum amigo bob esponja (*) junto? Será que a falta de EDUCAÇÃO e CIVILIDADE não geram mais alcóolatras que o simples fato de existir cerveja e pinga pra vender?
Responder isso ninguém quer, até porque a quantidade de vagabundo maconheiro que usa o fato de existirem estatísticas relacionando o consumo ABUSIVO de álcool com a violência urbana, pra tentar se fazer de santinhos, não tá no gibi.



(*) Amigo Bob Esponja: aquela pessoa que você adora, é teu amigo do peito, mas que você sabe que, estando à vontade em presença de álcool, enxuga o caneco até ficar ictérico.

domingo, 20 de dezembro de 2009

O que é luxo nos dias de hoje?

Compramos uma máquina de lavar louças.

Tá, pra variar, pobre só se fode, e a bicha está em processo de troca, porque a Americanas resolveu tentar empurrar uma vítima da enchente pra cima de nós; antonces, a dita-cuja só vai chegar, mesmo, provavelmente após o Natal (e talvez só depois da virada, também).

Mas compramos. Milduzentosenoventa reais, à vista, por um trem que, basicamente, lava a louça, desde que a gente raspe o resto de comida antes.

Eu sempre achei, a vida toda, que lava-louças fosse o cúmulo do luxo, do desnecessário mesmo. Nunca conheci ninguém que tivesse, nem usasse. Nem quando morei em Chicago. O maior desfrute que vi gente se permitir era uma torneira elétrica (coisa que, até pouco tempo também, era só sonho de consumo).

Lava-louças, pra mim, era igual ar-condicionado: coisa pra quem não tem mais onde gastar dinheiro, inutilidades de quem não tem mais o que fazer.

Só que esse tipo de raciocínio, hoje, tá datado montes. So 1980's, coisa do tempo em que milduzentosenoventa qualquer coisa, até Narjaras Turettas, era assim uma soma inalcançável. Eu me alembro bem, porque sou assim pré-enta, quase idosa já, do tempo em que um ar-condicionado split era o preço de um carro popular. Um de parede custava o mesmo que uma Mobilette, no tempo em que moto era inalcançável, coisa de rico metido a esportes radicais.

Em compensação, hoje, milduzentosenoventa reais equivalem a 3 salários mínimos. "Ah, mas 3 salários é MUITO, é o que eu ganho num mês!", muita gente vai dizer. Sim.
Você mora sozinho/a? Paga aluguel, luz, água, telefone, compra de mês, eticétera? Saiba que quem vive só com menos de 5 salários mínimos é parte de uma minoria: a maioria das pessoas que ganha pouco mora com os pais, irmãos, cunhados, filhos, etc. Na maioria das vezes, na mesma casa, ou, no mínimo, no mesmo terreno.

Pra esse povo, realmente, um ar-condicionado de 500 reais pode ser caro - porque juntar 6 ou 8 pessoas pra dormir num quarto só, realmente, é algo complicado. Agora, uma lava-louças de milduzentosenoventa reais, por incrível que pareça, faz tão sentido comprar quanto uma máquina de lavar roupa.

Por quê? Porque 6 ou 8 pessoas que comem juntas fazem louça suja pra dedéu, e, desse dedéu, 90% é prato, talher e copo. Arroz, feijão e bife gastam uma panela cada um, mas, pra comer, numa refeição, são 12 ou 16 talheres, 6 a 8 copos, 6 a 8 pratos, fora o pratinho da salada, e talvez mais um pra batata-frita. Mesmo que a família seja democrática e não jogue a obrigação em cima de uma pessoa só (ué, sonhar não custa nada...), e faça rodízio de duplas, leva-se pelo menos meia hora pra lavar e secar isso tudo, mais dar um tratinho no fogão e varrer a cozinha.

Quanto vale meia hora livre, hoje em dia?

Considerando uma jornada de 9 horas, mais 3 ou 4 horas totais de deslocamento, NO MÍNIMO o adulto comum passa 12 horas FORA de casa, sem descansar. Aí contando uma hora por dia pra se arrumar (banho, escovar dentes, se vestir, pra ir pro trabalho e antes de dormir), mais 8 pra dormir, sobram exatas 3 horas, por dia, pra fazer tudo o mais. Desde todo, TODO, o serviço da casa, até assistir a novela ou se dedicar a alguma outra coisa que dê escape ao stress.

Se, pra economizar uma horinha lavando roupa por dia, vale a família se cotizar pra comprar uma máquina de lavar roupa, pra economizar mais meia hora vale comprar uma máquina de lavar louça. Mesmo que a louça sobre pra filha mais velha todos os dias: meia hora de estudos a mais, por dia, significa notas melhores e, consequentemente, maior probabilidade de passar de ano, e, futuramente, no vestibular; além disso, meia hora por dia estudando inglês, e consequentemente aprender a língua direito, aumenta o salário futuro em 20%.

Yep, só o fato da pessoa saber falar inglês além de "the book is on the table" já dá um salário 20% maior.

Além disso, a meia hora da louça pode ser usada INCLUSIVE pra limpar melhor a casa (se quem lava a louça não estuda, nem trabalha fora, nem cuida de criança, nem tem coisa melhor pra fazer). Ou seja, panelas melhor areadas, fogão mais limpo, arrumação melhor. Pra quem paga faxineira, inclusive, porque o tempo que a faxineira economiza na louça ela pode usar limpando melhor o resto da casa.

Fazendo as contas, então, me convenci que a hora e meia que eu gasto lavando louça (é, que gente semi-aleijada demora mais) vale mais que milduzentosenoventa reais. Idem pro tempo que a patroinha leva, e mais ainda, o nervoso que eu passo quando vejo louça acumulada na cozinha, porque sinceramente, no século XXI tempo livre e menos stress valem muita, mas MUITA grana. Muito mais que milduzentosenoventa qualquer coisa, até Narjaras Turettas.

Epic Fails que só acontecem em país de abonados botocudos

O preço do estilo
Mercado paulistano volta a apostar em lofts, com lançamentos de até R$ 3,8 milhões (link para assinantes)

Basicamente, a matéria fala de gente débil mental e abonada em SP que paga entre 400 mil e alguns milhões de reais por um "loft", pra se sentir "morando num lugar sofisticado como nós".

Por quê macaquitos imbecilóides gastam isso tudo do dinheiro de Papai (ué, achou que quem bancava isso era quem, criatura naiveté?)?

Porque aqui em SP, apesar de ter um MONTE de ex-indústrias aptas a se transformarem em lofts de verdade, não existe aquilo que fez, em NY e outros cantos, a cultura loft existir: gente de classe média baixa, que trabalha com arte e que precisa de aluguéis muito baratos, perto do centro (porque pobre não tem carro).

WHAT? Quer dizer que loft é coisa de POBRES?!?!?!?! :-S

Yup. Loft em NY é coisa de gente que não tem como pagar aluguel em outro canto: uma fábrica desativada, onde o dono espertinho subiu meia dúzia de divisórias. Nós temos amigos nos USA que moram em real NY lofts: a galera diz que dá pra ouvir até o peido do vizinho. Fora que, no inverno, é um frio desgraçado.

Já aqui em Botocúndia, como gente pobre nem pensa em fazer qualquer coisa relacionada a arte, porque as máximas do "Uma boa indicação é sempre melhor que o mero talento" e "O talento de um artista se mede pelo tamanho da mesada e pelo sobrenome dos pais" imperam...

Loft é um prédio novinho, construído nos bairros mais caros e chiques da cidade, com VÁAAARIAS vagas na garagem (porque papai precisa de vaga pro motorista dele esperar em dia de visita), espaço gourmet, academia de ginástica, piscina exclusiva, serviço de concierge e manobrista, etc.

No que as construtoras sabem que "Mercado Alternativo" no Brasil significa, na verdade, "Gente burra com dinheiro que compra qualquer porcaria desde que digam que é moda nos States ou nas Zoropa", elas passaram a oferecer algo mais "Exclusivo e Alternativo" ainda que os Lofts: os apartamentos "Studio".

Studio é o que os americanos chamam as quitinetes. Por quê studio? Porque, de novo, quitinete nos USA é imóvel comercial reciclado como residência. Sim, do mesmo jeito que no RJ a crasse alta da Zona Sul retalhou imóveis da década de 50 e 60, nos anos seguintes, pra fazer caber mais apartamentos no mesmo prédio (criando umas aberrações hilárias), lá no mundo maravilhoso dos EUA nego fez a mesma coisa, canibalizando prédios de escritório pra enfiar a patuléia pobre.

Aqui, um Studio sai entre 250.000 e 400.000 reais, um de 40 metros quadrados. Sim, quatrocentos mirréis pra morar numa cabeça de porco high tech.

Epic Fail.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Casamento Gay X União Civil

Hoje estava lendo o G1, e li uma declaração do Aguinaldo Silva que "os gays" não querem casamento, mas sim, união civil. O que é incorreto. Queremos sim, casamento. Se alguma religião vai ou não querer consumar a cerimônia religiosa, é problema de cada um com sua fé.

Mas o instituto legal do casamento é muito mais completo, e adequado a duas pessoas que juntas, com amor, e consumando esse amor por união carnal, decidam construir uma vida, e família, juntas. É a forma mais completa de amparo legal a ambas as partes.

Se não é para chamar o casamento gay de casamento, mas sim união civil, então, façamos o seguinte.

Não existe mais casamento como instrumento legal. Removam isso da constituição. Agora tudo é união civil, limitada ou ilimitada, nenhuma das duas formas tendo qualquer restrição racial, sexual, religiosa ou de idade, ou mesmo, número de pessoas. Ou qualquer relação com qualquer religião.

Depois, que os casais instrumentados com suas uniões civis, que procurem suas religiões de preferência, para fazer o casamento, agora, apenas cerimonial e despido de qualquer função legal, para serem unidos aos olhos de seus deuses.

Como já é hoje o Batismo, Bar Mitzva, Crisma, Coroação, Raspagem, Confirmação de Orixá, Extrema Unção, e por aí vai.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

E aí José?

Existe uma máxima de mercado que diz que, um negro ou uma mulher, não conseguem ganhar mais que 70% do que um homem branco recebe pra executara a mesma função. Mesmo que tenham um nível de competência acima do nível do dito homem branco.


Só como exemplo, em um futebol em que técnicos de ponta não entram em uma mesa pra negociar com menos de R$200 mil mensais de proposta inicial, o Flamengo acha que R$110mil é uma proposta excelente para Andrade, que passou o fim do ano aceitando em silêncio, um salário de cerca de R$50 mil para provar seu valor, sendo campeão.

Agora, não só se provou que foi um dos técnicos mais competentes do ano, com título de campeão, como fica a desconfiança do motivo para a diretoria do Flamengo não achar válido um salário de ponta para ele. Ou pelo menos, é o que parece, pelo ritmo das negociações, e a relutância em oferecer ao mesmo, o que terão que oferecer para qualquer um que entre em seu lugar.

Não discordo que os salários no futebol brasileiro sejam fora da realidade, do país e do planeta. Não se justificam. Mas porque um Andrade campeão, tem que aceitar um salário menor que o de um Luxemburgo ou Muricy? Pela diretoria do Flamengo, entende-se que metade do salário conhecido dos citados, é uma proposta mais que boa para Andrade. Porque será?

O triste vai ser ver Andrade ir embora, para ter que trabalhar fora do Brasil, talvez tachado de traidor pela torcida Rubro Negra, mais Negra que Rubra; para poder ganhar o que acha devido, e com razão.

E ver que a diretoria do Flamengo então, não terá problemas em negociar, com um técnico branco, um salário na casa do que Andrade queria, para tampar o buraco deixado pelo treinador negro.

Não sou rubro-negra, mas sou mulher, e vivo sentindo a dificuldade de lutar contra a lei dos 70%. Me irrito quando me ofertam 50%. Não dá pra ficar calada e não fazer essa relação direta, quando ela toma as páginas dos jornais. Será que um dia a Marta, sendo técnica, também vai ter que aceitar isso?

Porque, como se sabe, no futebol, ninguém tem dificuldade de pagar salários impossíveis, mesmo que as custas de novas dívidas impagáveis, para manter o mundo da bola rodando na casa do irreal.

Peço desculpas aos envolvidos se esse não é o caso. Mas também acho que deveriam se esforçar mais para não fazer parecer que é.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Carros Elétricos

O G1 fez uma matéria sobre carros elétricos no COP15, e se focou em mostrar modelos pequenos, apertados, e principalmente, feios ou super-coloridos. Talvez pra manter a fama que carros elétricos ainda sejam carroças quadradas para uma ou duas pessoas, e você troca desempenho, beleza e estilo pela proteção ao meio ambiente.

Escondido na foto do Mitsubishi, no entanto, estava um Mini-e :D

Tem gente que prefere se ater a velhos argumentos do que reconhecer que o mundo mudou :)

O Smart Elétrico não dava nem pra ver na foto :P





quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Ainda outra da Folha de hoje:

"...] PRECISAMOS PENSAR SE QUEREMOS MANTER ESSE CLIMA DE SERVIDÃO VOLUNTÁRIA AO GRUPO"

Artigo da Rosely Sayão (de novo pra assinantes, sorry. Capaz de liberarem na Folha Online amanhã ou depois), falando sobre pressão de grupo, contando um causo, inclusive, de uma criança que recebeu uma listinha de itens que ela tinha que adaptar na sua pessoa pra ser aceita pelos coleguinhas da sala de aula.

Coisa assim fascista mesmo, e pior, que hoje em dia parece ser o último grito da moda: todo mundo tem que ser igualzim todo mundo, ou apanha, vide o caso da gostosa da Uniban, coitada.

Vale a pena ler o artigo, mas, pra contrapor o gostinho deprê que ele deixa na boca, eu (JUSTO EU, óia que bisurdo) tenho a dizer o seguinte:

Eu passei a vida inteira, inteirinha, inteirona, sendo a criatura que destoa. Não só porque eu sou assim uma coleção de "defeitos" (pobre, baixinha, de óculos, gorda, perna curta, chata, peituda, nerd, "mal vestida", tímida e lésbica), como também porque eu nunca consegui tentar ser igual aos outros.

Não que eu não tenha tentado: tentei, mas a maioria é imbecil demais pro meu gosto.
Eu, magra, era roliça, tinha peitão, coxão, cabelão, mas era tampinha e não conseguia fazer as caras e bocas retardadas que as garotas "populares" faziam, eu meio que nasci sarcástica e de cara amarrada mesmo. Muito menos usar shortinho enfiado na bunda e miniblusa, por mais que a minha mãe (que queria ser "A Popular" muito mais do que eu, apesar de já ter 40 anos na época) tentasse me empurrar esse tipo de roupa, ou deixar de usar jaquetão jeans quando era nova, eu adorava o meu, usei até se acabar.

Eu, no cursinho, não conseguia perder a fama de "A Inteligente, Supra-Sumo do Saber, Aquela A Quem os Professores Elogiam", que peguei desde que entrei numa classe pela primeira vez na vida. Isso, só e apenas tão somente porque eu prestava atenção no que o mané de microfone da vez estava falando, anotava o que era dito e escrito, e discutia a respeito no intervalo, ao invés de me entupir de bolos confeitados (eu tava de dieta na época, e mesmo que não estivesse, eu mal tinha um passe de ônibus pra voltar pra casa depois da aula, não tinha dinheiro nem pra comprar uma água sem gás), ou ficar de paquera na porta do Objetivo.

Eu, no trabalho, gorda de novo, cheia das tendinites e gastrites violentas, entupida de antiinflamatórios e corticóides, era a mula de carga, me virando em 5 pra dar conta do serviço, sempre ocupada demais pra falar com quem quer que fosse, sem QI (quem indica, que quociente de inteligência eu até tenho, thanks) e sem glamour, até porque quem tem dor até pra escovar o cabelo acaba desistindo de produções complicadas.

Em compensação, apesar de ser assim o estereótipo da "A Excluída", eu sempre fui popular, no sentido de ser apreciada mesmo. Todo mundo sempre falou comigo, e olha que eu NUNCA dei cola, nem vantagem de qualquer outro tipo, pra ninguém (também nunca ganhei, mas até aí, nunca esperei ganhar nada).

No cursinho o negófo chegou às raias do ridículo, nego que eu nunca tinha visto mais gordo(a) na vida me cumprimentava na rua. Pelo nome. Eu não enxergava interesse romântico ou sexual por parte de ninguém (e isso era problema meu mesmo; havia alguns caras interessados que eventualmente se declararam de forma tímida, mas eu era mega-complexada e confusa com esse lance de romance - porque será, dã... - então não dei bola), mas a galera gravitava em volta da minha pessoa, mesmo.

No trabalho, nunca tive dificuldade em ser aceita, e criar amizade com as pessoas que eu achava legais.

No amor, bom, depois de um crash course de "Relacionamentos Hetero: Por quê homens não servem para mulheres lésbicas, mesmo que eles sejam legais", achei a mulher da minha vida, que eu amo, desejo e admiro com paixão; fazem 11 anos que ela me ama e me atura, e olha que eu muito mal e porcamente me suporto.

Hoje eu não tenho tantos amigos quanto quando eu tinha 20 e poucos anos, mas os que tenho são amigos há tempo suficiente pra eu saber que continuam amigos porque curtem a minha pessoa, apesar de eu ser uma criatura tristonha que sente MUITA falta de mais civilidade neste país miserável. Eu também continuo amiga porque gosto deles, com todas as qualidades e defeitos que eles têm.

A única coisa que eu fiz a vida toda, porque funciona, foi tratar os outros como eu gosto de ser tratada. O que não quer dizer puxar o saco: eu dou as mesmas trauletadas quando vejo os outros fazendo mega-merdas que eu agradeço ter levado toda vez que fiz, ou ia fazer.

Eu não vou deixar conselho pra ninguém, cada um leva a vida como quer: mas sinceramente, o Pastor Dennis (que eu nunca vou esquecer, junto com todo mundo que me ensinou alguma coisa que preste pra vida) tava certíssimo quando me disse que a única coisa realmente útil, ÚTIL mesmo e que é pra levar no coração, de qualquer religião, é que o tal do "Amai-vos uns aos outros como a ti mesmo" funciona. Inclusive pra quem é diferente.

Vem aí o Bolsa Bronha!

Senado inclui "Playboy" e gibis no Vale-Cultura (link para assinantes)

Sim, é íssio mesmo que você leu. E outra, 50 conto por mês, ou seja, dá pra comprar pelo menos uma Preibói, uma Brazil, e um gibizinho pras crianças, que elas merecem...

Do Zé Simão

Pra lista de melhores do ano:

"Sabe o que o Lombardi cantou quando chegou no céu? Sílvio Santos vem aí, Lá lá, lá lá lá lá!"

Devia ter dado

Ontem acompanhamos o jogo do Fluminense contra a LDU. O mesmo fluminense que contra a mesma LDU acompanhamos da última vez, na Libertadores. E muita gente rubro-negra, alvinegra e tricolor nesse país acompanhou ontem empolgada.

Porque esse time que está em campo, é eletrizante e bonito de ver jogar. Ao contrário do Fluminense que no meio do ano sofeu um apagão ainda mais mal explicado que o que acometeu o país no último mês, e que igualmente, segue sem explicação convincente.

E muita gente, como eu, achava que não ia dar. Que era melhor focar em Curitiba, pra não cansar o time e não quebrar a moral. Depois do 5x1, ia ser quase impossível um 4x0 ou 5x0. E o time em campo mostrou isso. Que improvável não é impossível, como o Márcio, tricolor desde criança, deixou claro semana passada. E um exército de pessoas ontem ansiavam por uma língua queimada pela manhã. Mas quase impossível não é impossível. E quase deu. E devia ter dado.

Aos tricolores que hoje acordam de honra lavada pelo melhor resultado já obtido contra a LDU no Maracanã, eu desejo que esse apagão de resultados acabe, e o Fluminense deixe pra trás a sina de morrer na praia como um lambari.

Quando ao brasileirão, só falta um empate. Pra esse Fluminense que era quase impossível não cair. Mas quase impossível não é o mesmo que impossível. Esse sim, deve dar.

Ainda dá pra terminar o ano de língua queimada.

O Orfeu das pranchetas

Por FABRÍCIO CARPINEJAR

O Campeonato Brasileiro de 2009 escreve o derradeiro capítulo do livro "O Negro no Futebol Brasileiro", de Mário Filho, clássico de 1947 do irmão de Nelson Rodrigues.

O palco do épico curiosamente será o Maracanã neste domingo , no duelo entre Flamengo e Grêmio.

No Maracanã, justo no estádio batizado de Mário Filho, o nome do escritor. Uma coincidência emocionante.

O protagonista é o mineiro Jorge Luís Andrade da Silva, o Andrade, ex-jogador do Mengo da geração vitoriosa dos anos 80, que formou uma das armações mais compactas e habilidosas do Brasil, ao lado de Zico e Adílio.

Andrade poderá ser o primeiro técnico negro campeão brasileiro.

Foram raros, foram poucos os que regeram a casamata do estádio.

Ele põe fim ao apartheid da última hierarquia do esporte. Até o exército foi mais justo antes.

Não há negros no comando dos nossos principais times.

Existem preparadores físicos, assistentes, dirigentes.

Mas nunca existiu um negro mandando numa grande esquadra, organizando taticamente o elenco, dando a palavra final sobre a escalação.

É como se ele pudesse chefiar com a bola nos pés, não fora do campo. Como se o negro fosse um operário, vetado como engenheiro, proibido como arquiteto das emoções das arquibancadas.

Como se relegasse ao negro o papel de ator, não permitindo seu desempenho como cineasta, barrando a função autoral e a inteligência operística.

Mesmo depois de Leônidas, Zizinho, Domingos da Guia, Didi, Garrincha e Pelé, o negro era um tabu como treinador dos maiores clubes.

E pensar que a mudança demorou a acontecer nas planilhas. Dentro de campo, estava resolvida na década de 50.

Segundo Mário Filho, o futebol passou por três grandes fases: 1900/1910 (elitização), 1910/1930 (exclusão de negros; Vasco é o primeiro time a adotá-los e lutar contra a discriminação) e 1930-1950 (ascensão social dos negros e liberdade racial).

Está caindo o último bastião do racismo no país. Acabaram as restrições.

Andrade é o Orfeu das pranchetas.

Realizou uma revolução no vestiário, uma revolução de abrigo, só comparável à grandeza heroica de um Pelé fardado.

Desde 2004, espera sua chance de efetivação no Flamengo.

Já salvou o time da degola como interino, já foi suplente diante das demissões de Celso Roth, Joel Santana e Ricardo Gomes.

Durante cinco anos, engoliu sapos, recompôs diplomaticamente suas frustrações e expectativas, aceitou passivamente os interesses das bolsas de valores.

O folclore conta que Cuca o colocava para completar a barreira nos treinos, durante a cobrança de faltas.

Andrade é o principal personagem.

Não será Petkovic ou Adriano.

É ele. Com seu temperamento discreto, abalou a onipotência dos supertécnicos como Luxemburgo e Muricy, mostrando que altos salários não significam sucesso.

É o gracioso urubu no meio das garças à beira do gramado.

Abre passagem a uma nova geração de estrategistas das categorias de base.

Indica que os responsáveis pela entressafra alcançam fartas colheitas.

Não briga com a imprensa, não grita mais do que o normal, não arma segredos de Estado, não se escandaliza com as críticas.

Difere do tom casmurro e embirrado de parte dos seus colegas e da histeria autoritária das estrelas de terno e gravata.

Não é paranóico, não se vê perseguido e injustiçado nas coletivas.

Tem samba no sangue, uma alegria mansa, um amor antigo pelas redes.

É resolvido o suficiente para suportar qualquer pressão.

Escuta mais do que fala.

Porta-se com a audição de um juiz, longe da tradicional oratória e acusatória de um promotor.

Não é por acaso que faz acupuntura nos ouvidos.

Ao assumir o comando em julho, Andrade retirou o rubro-negro de baixo da tabela, conseguiu um aproveitamento de 72,5% nos derradeiros 17 jogos.

Mário Filho deve encontrar agora uma posição confortável no túmulo. Graças a Andrade, lavamos definitivamente o pó-de-arroz da pele.

http://rolocompressor.zip.net/ 

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Robin Williams está errado

Motivos?

1: Não foi meio quilo de pó, foram 400 garrafas de champagne Cristal, mais quantidade não revelada de outros més.

2: Strippers começam o show vestidas, e fazem acrobacias num poste.
Mulatas estilo Sargentelli, por outro lado, já começam seus shows usando 2 lantejoulas e um cadarço; quanto às acrobacias, quem fica na fila do gargarejo corre o risco de quebrar a mandíbula numa trombada bunda-rosto.


Tirando estas pequenas correções, a piada foi boa. Triste mesmo é a reação da mídia brasileira, que jura que bundão de mulata pelada balançando é menos "erótico" e mais "arte" que show de stripper.

A Ganância Cega

Se você gosta de levar vantagem em cima de tudo... é provável que todo mundo já esteja levando vantagem em cima de você.

Ex: O caso do Playstation de areia

"Homem compra PlayStation na Sta. Ifigênia e leva caixa com areia

MARINA LANG
da Folha Online

Após comprar um PlayStation 2 com um ambulante na r. Santa Ifigênia (centro), o gráfico Omar Idevan Nascimento, 33, teve uma desagradável surpresa. Chegando em casa, ele percebeu que o peso da caixa não correspondia ao videogame, mas a um saco de areia.

"Não tinha produto. Tinha um saquinho de areia", descreveu a vítima, afirmando que a embalagem estava devidamente lacrada, tal qual a de um console novo. O valor do prejuízo: R$ 150. O fato ocorreu no último sábado (28) e o presente era para o filho do gráfico.



PlayStation 2 falso, com saco de areia no lugar do videogame; no golpe, vítima pagou R$ 150 na Santa Ifigênia


"Depois, fui pesquisar e vi que era um valor muito abaixo do mercado", lamenta. O preço "em conta" do videogame, cuja fabricante é a Sony, é R$ 449.

Nascimento diz que foi atrás do ambulante, horas depois. Já era tarde, o responsável pelo golpe havia sumido. O gráfico disse não ter registrado boletim de ocorrência.

"Fiquei sem graça. O que eu quero, na verdade, é informar as pessoas que têm filhos e sobrinhos, e que compram isso no Natal para eles. É uma decepção, né." O filho de Nascimento, de oito anos, não soube do ocorrido até agora.

"Agora, vou tentar ir atrás de um [PlayStation] original. É melhor, com certeza."