Terça-feira, Novembro 01, 2005

Estou definitivamente passando a fazer parte da Antiguidade... 

E hoje mesmo eu estou me sentindo o próprio Mum-Ra. Alguém se lembra dele? Pois é. Nem do Bozo... acho que eu sou a última criatura das profundezas que lembra daquilo. O penúltimo é o Márcio, que fez um post interessante sobre a tese do homicídio do Salsi Fufu. Meu suspeito é o Garoto Juca - nunca confiei naquele pega-rapaz dele, e, além disso, acredito piamente que ele vendeu os direitos autorais daquela roupitcha pra Xuxa depois de demitido. Pena que naquela época não tinha cláusula de confidencialidade, ou ele tinha ido pro xadrez.

Mas aí eu estou me perdendo da história original. O lance é que um garoto postou um comentário nesse post dizendo que não conhecia "nada disso" (sic), exceto o Plebe Rude, que também foi mencionado. E aí eu virei o Mum-Ra (e o Márcio,por conseguinte, o Bacana da Armação Ilimitada), porque eu não só conheço isso tudo, como liguei VÁRIAS vezes para tentar apostar na corrida dos cavalinhos...

Queria muito ter um Genius, mas mamãe achava um jogo chato...

Joguei Telejogo (mas não tive nenhum, porque custava os óio da cara)...

Dancei enquanto ouvia "Tomo um banho de Lua" na TV...

Usei Conga pra caraio (do vermelho, que ATÉ era legalzinho, até o azul-marinho, que era o fino da mucutripa, horroroso)...

Comi chiclete Ping Pong sabor caramelo (sim, isso existiu e era ótimo, pena que não durou nem 6 meses)...

Usei laquê no cabelo (sim... eu SEI que essa moda não pegou no Brasil, mas nessa época eu estava em Chicago, e tava passando 21 Jump Street (Anjos da Lei) na TV, e, bem, se o Johnny Depp podia usar, pq só eu não ia?)...

Comi caldo verde no Well's, DENTRO do Eldorado da 9 de julho (que eu nem sei se existe mais)...

Fui na inauguração do PRIMEIRO McDonald's de São Paulo, e pior, morrendo de vergonha porque eu estava de Havaianas, tentando esconder os pés debaixo da mesa (depois quando eu falo que acho Havaianas ter virado chique o cúmulo da ironia, nego não entende)...

Vi o afogamento de 7 quedas...

Assisti uma peça "subversiva" no TBC, com direito a nu frontal (eu estava na 7a. série e, bem, o povo da peça resolveu que seria legal dar ingressos de graça pra escola - 5a. série pra cima, mais professores, sans pais - porque afinal de contas era necessário conscientizar as pessoas, e tal), e SIM, deu o maior forrobodó do mundo quando a anãzinha (sim, anã mesmo, uns 1,20 de altura) e o magrelo que contracenava com ela tiraram a roupa, as professoras entraram em choque, a direção da escola chamou os pais para pedirem mil desculpas...

Fiquei chocada quando vi o primeiro comercial com nu na TV - aparentemente, 1987 e 88 foram os anos do desbunde pós-ditadura no Brasil, e, como eu não estava aqui, perdi o bonde...

Assisti ao "Sala Especial" na Record, escondido, claro...


Entre muitas outras coisas, também, em 33 anos. É, tô véia mesmo.


Mas sabe o que mais? Acho que eu vou gostar de fazer 66.

Domingo, Outubro 30, 2005

Presentes de Natal que eu realmente quero 

- Dinheiro. Não precisa ser muito, só o suficiente pra tirar a gente do sufoco, pagar umas dívidas, deixar a Jessica voltar pra terapia (não só quitando a dívida com a psicóloga, mas sobrando uma graninha pra pagar as 2 sessões mensais), e quem sabe começar a fazer uma poupancinha;

- Minha família finalmente fazendo a porcaria da terapia. Os três, e com psicólogos decentes, resultando em:

a) Meu irmão tomando vergonha nas fuças e arrumando um emprego, nem que seja carregando sacola na feira;

b) Minha mãe indo aos médicos que ela precisa consultar e, mais importante, OBEDECENDO às recomendações deles, consequentemente tendo uma qualidade de vida melhor, e, mais importante, dando importância a isso, e à necessidade de viver em meio à civilização, perto de médicos, dentistas, fisioterapeutas, e longe de carrapatos, pulgas, piolhos, sujeira e mato;

c) Minha irmã caindo em si que ela TEM SIM capacidade de ter uma carreira decente e, por consequência, equilibrando escolas, estágios, estudo em casa, e passando no vestibular no ano que vem;


- Um relâmpago que caia na cabeça do meu sogro e faça ele perceber que não adianta ligar aqui pra fazer o social com a Jessica; que ele precisa, se realmente ele quer ter contato com ela, é fazer uma terapia braba pra tirar os olhos do próprio umbigo e realmente se interessar por ela: ligar não porque é Natal, ou porque o cachorro morreu, mas porque ele quer saber como anda a transição dela, pedir umas fotos dela pra colocar na parede, perguntar como anda o curso de fotografia, se ele pode fazer algo para ajudá-la nessa transição (inclusive entre profissões), dizer que ele tem orgulho dela por quem ela é, que ele, pessoalmente, sofreu muito para entender, mas que hoje tem consciência de que tem uma filha mulher, lésbica, brilhante, talentosa, honesta, trabalhadora e admirável, e que isso faz com que ele se orgulhe imensamente dela; e, last but not least, pedir desculpas, sinceramente, pelo sofrimento que a intolerância e soberba dele causou a ela esses anos todos, e dizer que ele não só está resolvendo os problemas dele, mas também tomando consciência dos problemas que ele causou a ela, e que, por isso, está disposto a esperar o dia em que ela quiser vê-lo, ou falar com ele, nos termos DELA, e a ajudá-la no que for, independente de retorno;

(Tô pedindo demais, eu sei.)

- Minha mãe e a Jessica se entendendo e passando alguns dias juntas sem brigar. Tanto porque minha mãe se tocou que chegar aqui pra reclamar da vida dela não adianta e só faz a gente sofrer, quando a gente quer mesmo é que ela justamente se distraia dos problemas e faça de conta que aqui é um universo alternativo onde ela vem para se dar um tempo, e que a Jessica e eu não somos muro de lamentações, e que É legal bater papo com a gente e assistir alguma coisa interessante na TV, ou fazer outra coisa qualquer que não tenha nada a ver com os meus irmãos ou dívidas, como porque a Jessica se tocou que a véinha é que nem criança, e precisa ser tratada como tal, e ao invés de ter conversas inteligentes com ela, pede que ela ajude a fazer enfeites de Natal, ou a ir ao Tatuapé Garden escolher um bom pé de citronela para pôr no jardim, ou a ir na 25 de Março comprar um tecido baratinho e ajudar a gente a fazer as almofadas que nós estamos há anos pra fazer, ou a fazer alguns blocos iguais ao que a gente fez este fim de semana para dar de presente à Shirley, ou pedir a ela que a ajude a montar as sementeiras para que nós possamos plantar temperos, ou levar ela com a gente no Mercado Municipal e ouvir as histórias dela sobre comida enquanto ela come um sanduíche de mortadela, numa boa, ou simplesmente pedir para ela contar histórias de quando eu era criança, como era naquela época em São Paulo, se tinha quebra-pau na frente do Mackenzie ou perto de casa no fim da ditadura, se ela realmente tomava batida de abacaxi com vinho depois das provas. Deixar a véinha arrumar (ou desarrumar) a casa, pq ela vem aqui pouquíssimas vezes, e afinal de contas, isso todo mundo que vem aqui faz, não é um cavalo de batalha;

(Eu prometo que vou fazer o mesmo, e que quando sair com ela pra médico, ou pra tentar vender o apartamento, vou evitar ao máximo me estressar.)

- Achar um médico endocrinologista, ou um clínico geral decente, que seja humano e aceite ajudar a Jessica na transição, monitorando a saúde geral dela, e ajudando-a a manter essa saúde e melhorá-la, levando em conta a reposição de hormônios e a(s) futura(s) cirurgias que ela vai fazer;

- Que a minha mulher consiga fazer o segundo ano do curso tranquila, sem ter que se matar de trabalhar em outra área que não a fotografia para fazer dinheiro e ajudar nas contas;

É isso aí... tem outras coisas que eu quero, mas essas são as que eu MAIS quero.

This page is powered by Blogger. Isn't yours?